7/26/2011

We dont need no thought control

Apesar de andar extremamente tenso e preocupado com uma série de coisas pessoais sempre tento relaxar revendo algo do passado em termos musicais ou cinematográficos. Sou saudosista, fato. Às vezes acho que nasci saudosista.



Mas enfim, me peguei revendo pela enésima vez o filme THE WALL do Pink Floyd. Adoro a parte de “Another Brick in the Wall” quando o professor humilha o garoto na sala de aula lendo em voz alta seu poema que é justamente um trecho da música “Money” do anterior “The Dark Side of the Moon”. A letra dessa música diz muito sobre estes traumas que carregamos da infância. Coisas mal resolvidas na tenra idade significam gastos com analistas, drogas lícitas e/ou ilícitas.

No início vemos um comboio de trem lotado de crianças todas com as mesmas máscaras bizarras, parecendo o Jason de “Sexta-feira 13”, e sendo levadas para a escola no mesmo estilo que os nazistas conduziam os judeus aos campos de concentração. É interessante como essa necessidade horrível que temos de querer ser como a maioria “normal” é imposta nazistamente na escola. Uniformes, filas pro recreio, filas pra qualquer coisa, a resposta “certa” é sempre padronizada, uniforme, intransitiva. Pelo menos eram assim as escolas da minha época de garoto. Espero que tenha mudado.

Mas o clipe prossegue mostrando um professor durão, velho, mau humorado e sarcástico que expõe os alunos ao escárnio com extrema autoridade “mas na cidade sabia-se muito bem que quando eles chegavam em casa a noite, suas esposas gordas e psicopatas podiam humilhar-lhes infernizando cada polegada de suas vidas”. Perfeito. O que não falta nessas salas de aula da vida são professores frustrados, castrados, cheios de problemas e traumas, que tentam bancar o ditadorzinho de forma militar ou sob uso de desonestidade intelectual, coisa não muito complexa tendo em vista o nível de compreensão política, história e filosófica da maioria dos nossos universitários.

The Wall ainda é muito atual. Fala dentre outros temas, de liberdade (a falta dela), revolução, excesso de autoridade, paternalismo estatal, falta de ideais, pensamento uniforme dentre outros temas. Eu tenho visto coisas no Brasil que começam a me preocupar no que diz respeito à liberdade de pensamento e uso do aparato do Estado. Depois escrevo sobre isso.

1 comentários:

Anonymous said...

Não conhecia o filme Caique. A primeira sensação que me deu foi que o miúdo em vez de atravessar os carriz do trem, os estava percorrendo, como se procurasse a morte depois do que viu. Alguns tiveram professores tão cruéis (talvez os Rollings) e tenham traumas. Eu era muito boa aluna, e bem comportada, e mesmo que a minha professora quisesse (e talvez quisesse) não tinha como me castigar justificadamente.
Mas sinto tantas coisas em vc, no que escreve, no que sente. Parece tão frágil mesmo diante de todos estes discursos lindos. O que está a acontecer? Diga milagrosamente. Eu escutarei milagrosamente e tentarei fazer algo milagrosamente.
Vc é como uma Amy, uma pedra em bruto que já foi refinada, mas pode ser melhor ainda. Não perca essa oportunidade. Revolução vai na sua mente, ou pelo menos aversão à apatia e passividade. Eu também. Sou sua comparsa.
Vc é inspirador. Vanda